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sábado, 14 de janeiro de 2012

Conceito de Drama


   O drama romântico é um género teatral de tom menos pesado que a tragédia, em que aparecem unidos o elemento trágico e o cómico, o sublime e o grotesco. Visa provocar nos espectadores sentimentos de compaixão e piedade em relação as situações dos personagens. O drama parte da realidade, tenta retratar a vida real, mas apresenta uma serie de situações com diversas personagens que se envolvem em vários episódios, sucedendo-se rápida e confusamente, sem unidade de acção e por vezes com feita de verosimilhança.
    O desfecho pode ser trágico ou não.
   Drama apresenta um conflito motivado pelos valores da sociedade que regem os indivíduos que nele se inserem. Este procede à analise da sociedade, sua contemporânea no quadro de intrigas sentimentais. As personagens pertencem a diferentes classes sociais.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Apresentação Oral



O Nariz

O autor da obra “O Nariz” é Nikolai Gógol e o livro foi publicado, pela primeira vez, em 1836.
À primeira vista parece um simples conto para entreter, mas à medida que vamos lendo a obra, apercebemo-nos que é muito mais do que isso, é uma sátira e uma crítica burlesca à sociedade da época, em que o autor retrata uma sociedade extremamente burocrática, dividida em classes, onde o dinheiro e o poder têm papel dominante.
Não é por acaso que houve várias tentativas de censurar a sua publicação.
Vou começar por fazer o resumo do livro:
 A história passa-se em São Petersburgo.
Um dia, um barbeiro, chamado Ivan, acorda, vai tomar o pequeno-almoço e ao partir o pão encontra lá dentro o nariz de um sujeito que ele tinha barbeado na semana anterior. Mas não é uma coisa mutilada, é um nariz em perfeito estado. Ele apavora-se e antes que pensem que ele é um criminoso, sai de casa o mais rápido possível para se livrar do nariz.
Dirige-se a uma ponte e atira o nariz. Ao fundo da ponte está um polícia que lhe pergunta o que é que ele está a fazer, ao que ele responde “nada”. E nunca mais se soube nada sobre Ivan.
Entretanto, no outro lado da cidade, o dono do nariz acorda. Este é um assessor de colégio, chamado Kovaliov, mas que gostava de ser tratado por Major, esperando ganhar assim uma maior importância e relevância social.
Como no dia anterior o major tinha uma borbulha no nariz, e sendo ele muito orgulhoso do seu aspecto e dado às aparências, pediu um espelho. Ao mirar-se, passou a mão no local da cara onde habitualmente costumava estar o nariz, e nada. Estava raso. Desaparecera!
Ele desespera-se e começa a grande busca atrás do seu próprio nariz. É cómico pelo absurdo e ridículo da situação!
Assim, sai rapidamente de casa, vai ao café onde costumava ir todos os dias mas não cumprimenta todas as pessoas como sempre costumava fazer. No café repara que realmente não tem o nariz.
Ao sair do café, para seu espanto, descobre-o, — o seu próprio nariz — a passear-se pela cidade, fazendo-se passar por Conselheiro de Estado “num uniforme bordado em ouro, com uma gola alta, calças de camurça e uma espada ao lado”. O major conversa indignado com o seu imponente e importante nariz e este nega sequer conhecê-lo.
Mais tarde, Kovaliov perde o nariz de vista e, muito preocupado, vai pedir ajuda aos jornais e esquadras para que o procurem. Daria uma recompensa a quem o encontrasse.
O dito nariz, ao longo do conto, ora surge na face de alguém de alta patente, não passando cartão nem ao próprio dono; ora segundo diziam os boatos e rumores, se julga estar noutros locais na posse de outros intervenientes.
Digamos que se passeia por Petersburgo envergando melhores ou piores roupagens. Vai subindo ou descendo de categoria. No entanto, o apêndice é o mesmo de sempre.

Estes episódios fazem-me lembrar um verso do poeta António Aleixo: “Uma mosca sem importância poisa com a mesma alegria, na careca de um doutor, como em qualquer porcaria...” , pois a mosca não julga as coisas sem saber primeiro como são.

Um dia quando o major Kovaliov acorda, e se vê ao espelho, tem o nariz de volta, o que deixa o burocrata absolutamente tranquilo, sem maiores preocupações com o acontecimento incrível, não se questionando nem querendo saber porquê. E a sua vida continua normalmente como ocorre com todas as burocracias, cujas preocupações são exteriores ao ser humano.
Passo agora à análise do conto:
Este texto é cheio de sentido de humor e de imaginação.
A narrativa oscila entre o trivial (quotidiano) e o absurdo (quando o nariz chega a andar pelas ruas); oscila entre o imaginário e a realidade.
Este conto, para mim, é uma sátira social, onde o autor realça a mesquinhez e a hipocrisia das personagens, pois, por exemplo, Kovaliov só casava se a mulher fosse rica. Trata-se assim de um homem que procura a ascensão social, vivendo num mundo de aparências, em que o interior da pessoa não lhe interessava minimamente.
A crítica à importância das aparências está ainda bem patente noutra passagem do livro, quando o major Kovaliov deixa de fazer o seu próprio trabalho por lhe faltar o nariz, porque a maneira como os outros o vêm e olham é algo que o atormenta. Por isso, deixou de funcionar em sociedade, de fazer a vida dele, porque se sente incompleto.
Os tiques ridículos, os preconceitos e as diferenças sociais são apontados quando Kovaliov parte em busca do seu nariz. Ao encontrá-lo disfarçado de Conselheiro de Estado, fica sem saber o que fazer e como abordá-lo, uma vez que se encontrava numa posição superior. A postura servil e o nervosismo imediatamente adoptados por Kovaliov mostram, uma vez mais, a importância da aparência e da estrutura social.
Através do diálogo entre o major e os jornais e os funcionários da esquadra, o autor faz uma crítica à excessiva burocracia, às deficiências das estruturas do Estado, ao funcionalismo público, à influência do dinheiro e à corrupção, pois Kovaliov obteve prioridade na publicação da busca do seu nariz porque era de uma classe social superior.
Quanto à descrição das personagens e dos ambientes onde decorre a narração fazem-me lembrar Eça de Queiroz em “Os Maias”, porque, tal como este, Gógol lança um olhar pormenorizado sobre os adornos, as vestes e os acessórios, que servem para identificar e diferenciar as várias classes sociais.
“O Nariz” surge também como um texto que se ocupa da influência do oral, do boato e da construção de histórias, sendo todo o conto construído nesse registo, como se o narrador o contasse de memória, após o ter ouvido por outra pessoa.
Para concluir, este livro fez-me perceber que a aparência não é a coisa mais importante, temos de conhecer bem os outros antes de começar a julgar e temos de viver a nossa vida sem ser em função do que os outros podem pensar de nós.

sábado, 8 de outubro de 2011

Tempo não é dinheiro ! Tempo é vida !

O avanço tecnológico deveria aumentar a produtividade e reduzir o tempo de trabalho. Porém, na prática isso não se verifica: as estatísticas oficiais dizem que quase um milhão de portugueses trabalha mais de 40 horas por semana e que a média nacional é superior à europeia. Por exemplo, nós portugueses somos conhecidos por trabalhar até mais tarde (não necessariamente com a correspondente produtividade - aliás, a nossa maior fraqueza, muito conhecida), tendo como consequência o facto de dispormos de menos tempo para a família, os amigos e o lazer.
Embora algumas vezes seja por necessidade, é frequente as pessoas trabalharem mais apenas pelo dinheiro. Há efectivamente uma tendência para as pessoas orientarem as suas vidas em função do dinheiro. Contudo, sabe-se que a felicidade não é conquistada através do dinheiro. O objectivo de ganhar mais dinheiro em detrimento de ter mais tempo livre e longe do trabalho acaba por provocar um desequilíbrio familiar. Pode dizer-se que aqueles que procuram felicidade na acumulação de dinheiro e riqueza não estão necessariamente a assegurá-la: o materialismo provou estar negativamente associado a muitas das medidas de qualidade de vida.
Todos pensam no tempo como algo para o trabalho, necessário para "ganhar a vida", pois sempre ouvimos o ditado de que "Tempo é dinheiro", e instituiu-se um modo de vida moldado na troca do tempo dedicado ao emprego ou à realização de algo por dinheiro.
A divisão do trabalho e a apropriação social do seu resultado girando em torno do emprego levam à "alienação do trabalho": Os três conceitos confundem-se: tempo, trabalho e dinheiro parecem ser três aspectos de uma mesma realidade.
O tempo do trabalho é visto como o tempo que se vende, e não parte da vida livre, e o trabalho é visto como um encargo necessário, não uma contribuição espontânea ou algo que acrescente alguma coisa, uma atitude que mude alguma coisa.
Tempo, dinheiro e trabalho são conceitos distintos. Tempo é vida, dinheiro é reserva de valor ou meio de troca e o trabalho é esforço para gerar valor. As acções dão-se no tempo, mas não podem ser remuneradas em dinheiro porque a sua maior recompensa é o próprio valor que geram.
Alienação do trabalho é pensar que a nossa finalidade é destinada apenas à remuneração do esforço, e não a gerir valor. A utilidade social da pessoa é o seu maior valor e o dinheiro é uma expressão deste valor acumulado, um reconhecimento.
A expressão "Tempo é dinheiro" dramatiza a importância do tempo: “Não desperdice tempo - está a desperdiçar dinheiro!"
Somos ensinados a dar mais valor ao que recebemos do que ao tempo que dedicamos a executar tais acções. A criança que brinca é mandada para a escola para aprender uma profissão para depois conseguir um emprego, ganhar dinheiro e com ele poder, enfim, brincar...
Cultiva-se o mito do ócio como ideal de vida, mas o trabalho é o caminho para atingi-lo. Trabalha-se durante a semana para viver o fim-de-semana. Trabalha-se um ano para gozar a vida nas férias. Depois de "ganhar a vida" vendendo horas de seu trabalho, o empregado visualiza a reforma como um paraíso de ócio, sem nada para fazer.
Grande engano é pensar que o tempo é uma coisa, algo que se possa ter ou que falte... Viver é fazer escolhas e, portanto, administrar o tempo é eleger prioridades. Escolher algo implica abrir mão de outras opções. Se esta escolha for consciente e responsável, o valor de tudo aquilo de que se abre mão transfere-se para aquilo que se escolheu fazer. Errado é fazer algo e depois lamentar o que se deixa de fazer...
Tempo não é dinheiro! Conseguir dinheiro é que é uma questão de tempo. Tempo é vida. E o valor da vida não tem preço! Administrar bem o tempo é viver bem, é qualidade de vida.
De facto, todo o tempo da vida é um tempo livre cujo sentido, significado e finalidade são dados pela própria pessoa. Não se trata apenas de "matar o tempo" com o ócio, mas de fazer algo que responda às necessidades de realização.
            A vida livre é mais rica justamente no trabalho. Não no trabalho alienado em que se troca o tempo pelo dinheiro, mas no trabalho que dá sentido, que enobrece a alma e gratifica, que desenvolve potencialidades e estabelece vínculos afectivos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Alice no país das Maravilhas"

1. Introdução
A obra Alice no País das Maravilhas foi escrita por Lewis Carroll (pseudónimo de Charles Lutwidge Dodson). Mostra-nos um universo que mistura “sonho” e “realidade”, intrigante, seduzindo-nos através do fantástico. Mas, uma leitura mais atenta remete-nos para um romance complexo, uma vez que propõe as mais variadas interpretações, por abordar no seu contexto assuntos de diferentes temáticas.
Assim, a minha análise da obra vai incidir sobre a temática da justiça: o abuso do poder e a parcialidade na justiça, patentes sobretudo nos capítulos III, XI e XII.
 Quem tem o poder real? O julgamento faz sentido? É a Rainha que tem o poder, quando afirma: "A sentença primeiro, o veredicto depois". Logo, o julgamento não tem sentido, torna-se um simulacro de justiça ao serviço da coroa. A rainha é a caricatura de um omnipotente poder real.
No depoimento de Alice, o Rei decide limitar a entrada do tribunal para pessoas altas. Alice recusa a decisão e acusa o Rei de ter acabado de inventar tal artigo. O Rei afirmou que era o artigo mais antigo do código, ao que Alice retorquiu que então deveria ser o primeiro. O crescimento de Alice simboliza a sua entrada no mundo dos adultos e não tem medo de qualquer interrupção do Soberano. Ela nega a omnipotência da Rainha e sua paródia de justiça.
O narrador critica o Tribunal de Justiça e o poder real. Mais importante, mostra que crescer significa formar as suas próprias opiniões e não hesita em responder à injustiça, mesmo que seja posto em prática por um forte poder.
Ele critica o comportamento autoritário dos adultos que devem ser obedecidos sem ser questionados.
2. O abuso do poder e a parcialidade da justiça
Um dos trechos mais conhecidos da obra é o momento em que aparece a Rainha de Copas e o seu particular senso de justiça – a sentença antes do veredicto.
A Corrida Presidencial é uma crítica velada do absurdo da política inglesa na viragem do século. Os animais correm em círculos ao acaso. O Autor implica que os políticos fazem o mesmo, comportando-se com muita pompa e circunstância, sem realmente realizar qualquer coisa.
Embora haja uma abundância de "regras", as leis do País das Maravilhas parecem uma paródia da justiça real. A Rainha de Copas, por exemplo, acha que a lei que protege as pessoas da repressão ilegal não deve ser violada, mas pede a cabeça do Valete de Copas por ter sido apenas acusado de roubar as tortas. Assim, a rainha viola o espírito da lei contra o roubar para satisfazer a necessidade lógica de que cada provação deve ter uma execução. O espírito da lei é, por assim dizer, sacrificado para satisfazer a reversibilidade da carta simbólica da sua lógica. No jogo de cricket, qualquer um pode ser executado por razões que só a rainha soberana sabe, que age como se ela fosse uma divindade com o poder de tomar ou dar a vida. Sob uma monarquia, o monarca está acima da lei. No País das Maravilhas, no entanto, o monarca é elogiado quando o comando for para executar alguém. Ignorar o comando da Rainha para degolar alguém é uma questão de sobrevivência, bem como da justiça.
O julgamento do Valete de Copas satiriza a lei e demais legislação por decreto pessoal. Alguém pode ter roubado as tortas, e pode muito bem ter sido o Valete. Mas a ofensa é trivial, e a sentença é apenas uma piada. Um dos problemas com a lei, em qualquer contexto é a sua aplicação. Quando a lei deixa de promover a harmonia, então o seu objectivo como regulador das relações humanas é subvertida. No País das Maravilhas a ideia de uma lei parece ridícula, porque o princípio gerador do País das Maravilhas é um caos. A injustiça, então, é uma consequência lógica de vida no País das Maravilhas. A regra de que a pessoa mais forte deve ser a lei - ou seja, a lei da anarquia. O julgamento do Valete é a prova desse estado lamentável de coisas. Felizmente, Alice é a mais forte do lote, e ela derruba a frase da Rainha cruel de execução e o tribunal selvagem. Não há nenhuma maneira de mudar a lei porque não há "lei". Através da sua rebelião, Alice serve a causa da sanidade e da justiça.
Alice percebe rapidamente que, num mundo sem sentido, a busca da verdade e da ordem só pode ser uma farsa. O Rei várias vezes exige um veredicto, mas nunca se materializa. O julgamento troça do processo legal. A importância dos pontos triviais substitui questões fundamentais de certo e errado, inocência e culpa. O absurdo do julgamento legal recorda a ridícula Corrida Presidencial, em que a actividade inútil serve como um meio para chegar a conclusões que nada têm a ver com os efeitos previstos das instituições. Assim como a Corrida Presidencial não tem vencedor claro, o julgamento não pode determinar a culpabilidade do Valete. Penso que é a própria noção de direito, ao invés de o Valete, que está em julgamento nesta cena. Tal como acontece com a Corrida Presidencial, o Autor acusa o sistema jurídico no País das Maravilhas, como forma de criticar o sistema legal.
Conclusão
Na minha perspectiva, a obra apresenta um mundo atravessado de irracionalidade, de situações absurdas e de diálogos desconcertantes, e, no entanto, é movido por uma lógica política implacável. Ela representa uma ordem opressiva em que prevalecem a violência, o medo, a coação, as ameaças, que se impõem de cima para baixo, numa estrutura hierárquica em que os mais fracos e vulneráveis são os mais expostos a actos arbitrários. É exatamente como se sentem as crianças e os jovens, num mundo dominado por gente grande, arrogante, autoritária e brutal. É como se sentem também as pessoas pobres, os deficientes, as minorias, os estrangeiros, os imigrantes e as criaturas da natureza. Alice, não nos esqueçamos, é uma estrangeira no País das Maravilhas.
O outro lado da história, ainda mais fascinante, é que, sendo uma criança, Alice não incorporou ainda a norma e o hábito da subserviência. Nesse sentido, onde quer que ela detecte alguma situação de prepotência ou desrespeito, imediatamente reage e encara o ser cruel de igual para igual, sem medo e sem dobrar a espinha. Ela implode a lógica do autoritarismo vitoriano. Só uma criança pode ter esse desprendimento de ignorar as regras que sustentam um sistema opressivo. Tal como o menino que um dia gritou que “O rei está nu!”. Portanto, Alice ainda é e sempre será a melhor lição de ética, de irreverência e de inconformismo, tanto para crianças quanto para adultos.
Acho que o Autor instiga-nos a procurar construir os nossos próprios valores baseados na nossa percepção do mundo, no confronto entre as opiniões/convicções nossas e as alheias - respeitável ou irreverentemente, dependendo das circunstâncias -, nas nossas reflexões e na melhor maneira de lidar com os obstáculos que a vida impõe, porém nunca transgredindo o bom senso.
Para mim a Justiça é, entre outros valores, virtude, liberdade, igualdade, racionalidade, boa vontade, boa fé, humildade ante a finitude da vida humana, moderação nas acções, honestidade e aplicação de sanções àqueles que não cumprirem as suas obrigações perante a sociedade.
 HEGEL tem uma frase que dá a ideia exacta da complexidade da Justiça: "A justiça não é um dom gratuito da natureza humana, ela precisa ser conquistada sempre porque ela é uma eterna procura".
Cabe-nos a cada um de nós conquistá-la para podermos ter uma sociedade mais justa e mais  harmoniosa.