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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sermão da Santo António aos Peixes

O quarto capítulo do sermão de santo António aos Peixes é dedicado às críticas. Utiliza o verbo comer para criticar tanto os peixes como os homens.
No segundo parágrafo fala aos peixes para que estes observem os Homens, no seu dia-a-dia, para que desta forma os possa criticar.
Não utiliza o verbo comer na verdadeira acepção do termo, utilizando-o para se referir ao mal que os Homens fazem uns aos outros.
Santo António chama à atenção para o facto de que os homens passam a vida á procura de uma vida melhor, mesmo que para isso prejudiquem o próximo. Os Homens cobiçam aquilo que é dos outros e só se não poderem é que não se apropriam dos seus bens, se não o conseguem ainda em vida fazem-no depois de morto.
 Os mais fortes, mais poderosos e mais importantes, aproveitam-se das fraquezas dos mais pobres e por isso mais fracos.
 Critica também os Homens que pela sua ambição, passam por cima dos outros, prejudicando-os, para atingirem os seus objectivos.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sem Abrigo - uma opção de vida ou uma vida sem opção?

O nosso quotidiano civilizado está cheio desses seres que mantendo uma similar aparência física com o ser humano, afastaram-se de tal maneira da humanidade que perderam o seu laço comum. O fenómeno dos sem-abrigo, tal como se apresenta na sociedade contemporânea, pode ser considerado recente. As características da população que pede nas ruas ou que nelas pernoita alteraram-se na última década. Deixou de ser apenas o mendigo e o vagabundo, do sexo masculino, com idade avançada, para cada vez com mais frequência nos cruzamos com pessoas de ambos os sexos, cada vez mais novos, de diferentes etnias, muitos deles estrangeiros, com ou não deficiências físicas e mentais, estendendo simplesmente e muitas das vezes silenciosamente a mão, ou desenvolvendo pequenas tarefas (arrumar carros ou lavar os vidros pára-brisas) com o intuito de auferir uma pequena retribuição. A visibilidade deste problema social leva a que procuremos a sua compreensão no desenvolvimento socioeconómico da sociedade e na incapacidade de se gerarem mecanismos preventivos da situação dos sem-abrigo.
Como ponto de partida para o desenvolvimento do tema, adopto como definição que os “sem-abrigo” são aquelas pessoas, independentemente da sua nacionalidade, idade, sexo, condição socioeconómica e de saúde, se encontram sem teto, porque saíram de hospitais ou estabelecimentos prisionais, foram despejados por falta de pagamento das rendas, foram vítimas de violência doméstica, vivendo assim no espaço público, caravanas, barracas, carros, em buracos, estações de metro e comboios, contentores, são também as pessoas que não têm casa na verdadeira acepção da palavra (lar) e que vivem em alojamentos de emergência, lares provisórios, alojamentos para imigrantes, habitações precárias e albergues. Tapados por mantas ou apenas por papelões, os “sem-abrigo” passam a noite e depois, quando o dia clareia, vagueiam pelas ruas, sem destino certo, quase sempre à volta das mesmas ruas, pelos mesmos bairros e com as mesmas roupas. 

Os “sem-abrigo” caracterizam-se por serem maioritariamente homens, com instrução superior à escolaridade mínima, solteiros, de meia-idade, sem filhos, de nacionalidade portuguesa, com rupturas relacionais com a família, amigos, desempregados, com muitos anos de vida de rua e com elevadas taxas de alcoolismo e doenças psiquiátricas. As mulheres sem-abrigo constituem um grupo minoritário, em comparação com os homens, as mulheres tendem a ter menos escolaridade, mais filhos e menor abuso ou dependência de álcool.

Os factores que conduzem a situações de “sem abrigo” são essencialmente de quatro tipos: problemas familiares (conflitos relacionais, divórcios, falecimento de pessoas próximas), problemas de saúde (toxicodependência, alcoolismo, doença mental), falta de emprego e por último a falta de casa.
No fundo esta situação é despoletada por um conjunto de perdas de laços afectivos com a família, os amigos, a escola, o trabalho, a religião, o lazer. A perda destes laços leva o indivíduo a separar-se dos seus grupos de referência e muitas a vezes a auto excluir-se da sociedade. Os problemas familiares e a ausência de afectividade, leva a sentimentos de abandono e muitas vezes ao aparecimento de doenças mentais e dependências, que arrastam o individuo para a rua.
O problema da saúde é um factor importante, pois a maioria desta população apresenta graves problemas de saúde (físicos, mentais, toxicodependência e alcoolismo).

A vida na rua é feita de rotinas muito pobres, os dias são todos iguais e a única preocupação que o “sem-abrigo” tem é a sua sobrevivência ou seja a satisfação das necessidades básicas tais como encontrar comida e um lugar para dormir, estão sempre presentes.

Quanto às estratégias de sobrevivência, estes recorrem à mendicidade, à realização de pequenas tarefas informais e ainda utilizam as instituições.

Como conclusão para que estas situações problemáticas sejam resolvidas, dever-se-á analisar cada uma das situações individualmente, é essencial compreender a história de vida de cada individuo, perceber bem o seu percurso, a forma como chegou a esta situação, as competências adquiridas a nível escolar e profissional antes de entrar na rua, hábitos e costumes, interesses. Após esta fase inicial podemos partir para as suas necessidade, motivações, e em conjunto com o individuo podemos ajuda-lo a construir um projecto de vida futuro.
Considero ainda como necessário e indispensável que nestes casos as políticas sociais, possam garantir que de uma forma transitória que estas pessoas tenham acesso a uma habitação social digna com um mínimo de conforto, para iniciarem a sua nova vida.
Quando necessário deve-se iniciar este projecto de vida pela aprendizagem escolar e a formação profissional adequadas e realistas. Mais uma vez as políticas sociais deverão ter um papel preponderante, visando numa fase inicial a integração profissional destes indivíduos em postos de trabalho em entidades públicas, garantindo uma retribuição monetária, que lhe permita a sua sobrevivência fora da rua.
Estes apoios do estado devem ter um limite de tempo, suficiente para o individuo criar novos hábitos de vida mas não de forma a que se habitue a viver de subsídios.

Todos os seres humanos tem direitos e deveres. Encarar o fenómeno dos sem abrigo” como coitados dos pobrezinhos não ajuda ninguém a sair do ciclo reprodutivo da pobreza.
A visão paternalista, de lidar com as questões da pobreza não promove a eliminação da mesma. A igualdade de oportunidades para todos exige o exercício pleno de uma democracia participativa. Quem detém alguma responsabilidade sobre estas questões da pobreza deverá encará-la como uma questão humanista e não paternalista. Todos os seres humanos independentemente da sua condição socioeconómica têm direito à felicidade, ao amor, à ternura, ao bem estar de um lar. Não se trata de os abrigos darem comida e uma cama, trata-se de se criarem estruturas que possam conferir ao ser humano que se encontra na situação de sem abrigo o acesso à felicidade, ao amor e ao exercício pleno da cidadania de acordo com as suas reais capacidades. Não podemos exigir a um ser humano que já nasceu nas piores condições socioeconómicas, sem acesso à saúde, à educação, à cultura, ao desporto, ao trabalho e a um lar o mesmo que exigimos a quem sempre teve tudo à nascença. Cada ser humano é único, e todos merecemos que nos tratem com a dignidade que as constituições e os direitos humanos nos conferem.

Antes de serem sem abrigo são pessoas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tese sobre o Exercício de Poder

INTRODUÇÃO


Neste trabalho vou tentar fazer uma leitura da obra intitulada “Alice no País das Maravilhas”, um dos mais famosos clássicos da literatura infantil, não como sendo uma história para contar às crianças, mas sim uma obra na qual o autor critica a vivência e os sentimentos da população na época Vitoriana e mais especificamente analisar como é que o autor critica a forma como o exercicio do poder se desenvolvia.

Esta obra foi publicada em 1985, tendo como autor o reverendo anglicano inglês Charles Lutwidge Dodgson,  o verdadeiro nome de Lewis Carroll.

Sabemos que nesta época estava no trono em Inglaterra a Rainha Vitória, que tinha um poder constitucional muito limitado, embora tivesse alguma influência nas resoluções políticas, ela não determinava a polítca a seguir, dado não ter poder de decisão.

Na nossa época por definição considera-se:
  Poder  s.m. direito ou capacidade de decidir; agir e ter voz de mando; autoridade
          Dicionário Houaiss da Lingua Portuguesa, Instituto de António Houaiss de Lexicografia Portugal


Ao nivel social o povo era sufocado pela rigidez da moral e pelas regras sociais. Foi uma época de tensão entre o moderno e a tradição, entre a religião e a ciência, e na qual a literatura passou a ter uma importância crucial na vida dos indivíduos e da sociedade, tendo-lhe sido conferida as funções moralizante (purificar a sociedade dos vícios e ajudar a resolver os seus problemas, apontando para um caminho que proporcionaria o bem-estar e a esperança) e pedagógica (comportamento das senhoras na sociedade, aconselhamento quanto à saúde e à educação dos filhos).




O EXERCÍCIO DE  PODER  NA OBRA DE ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS


No início do primeiro capítulo, Alice denota um estado de aborrecimento por não ter nada de interessante para fazer.

Se quisermos transpor a personagem de Alice para um individuo pertencente à sociedade Vitoriana, o seu estado de tédio, cansaço, aborrecimento, na realidade, pode ser considerado como sendo causado pela monotonia das regras sociais que se tornavam opressoras, da liberdade de cada indivíduo.

Um pouco mais à frente ainda no início deste primeiro  capítulo, como que de magia se tratasse um coelho branco desperta em Alice a curiosidade da aventura, do prazer, da diversão. 

Alice acaba por entrar na toca sem pensar nas consequências dos seus actos, sem pensar na punição. Esta atitude de Alice seria considerada normal à luz da nossa sociedade, que encara o período da adolescência como um período de procura de novas experiências, mas pode ser também considerada uma transgressão à sociedade da época, em que as crianças eram educadas para se comportarem como adultos. O universo infantil era povoado pelos conceitos de aprovação, medo e culpa. Os adultos recebiam a pressão da sociedade e passavam-na para as crianças. Os pais representavam a moral da sociedade.

O autor nesta passagem critica a sociedade da època, as suas regras rígidas , a educação das crianças, a opressão a que a população em geral estava sujeita, não cumpre logo desde o início da sua obra nem a função pedagógica nem a função moralizadora que eram atribuídas à literatura da época.

Ao longo de todo o livro Alice depara-se no seu caminho com imensos obstáculos. Quando Alice tem de transpor uma barreira, ou seja, precisa de um saber e de um poder para transpor o obstáculo, estes saber e poder são-lhe dados mágicamente (objectos que aparecem, mudanças de tamanho que acontecem,transformações físicas).

Estes elementos mágicos que aparecem a Alice, podem ser entendidos como uma critica à sociedade Vitoriana, que desenvolvia um tipo de pensamento lógico e racional, e à necessidade de um trabalho muito àrduo para se conseguir qualquer objectivo, muito próprio da forma de pensar do séc. XlX.
Assim o autor consegue criticar a moralidade dogmática religiosa e a postura rígida, racional e opressora da sociedade, que pensava assim poder resolver todos os problemas da sociedade.

No final do livro aquando do julgamento podemos verificar que apesar de os seres mágicos temerem a rainha de copas, as sua ordens de decapitação, nunca são cumpridas.
A rainha de copas é considerada como irritadiça e autoritária que vê nas decapitações solução para todos os problemas.

Esta rainha é também considerada como possuidora de um julgamento simplista e duvidoso.
Alice enfrenta a autoridade da rainha de forma aberta quando a encontrou pela primeira vez e por fim no tribunal.

Esta atitude de Alice de enfrentar a rainha de copas é uma maneira de se opor ao poder que esta representa, em busca da libertação da rigidez das regras sociais que só era possivel a nivel da fantasia, dado que na sociedade real isto seria impossível de acontecer.

Mais uma vez vemos que o autor faz uma critica à sociedade Vitoriana, por um lado incapaz de se contrapor ao poder como Alice fez no seu mundo de fantasia e também directamente à figura da Rainha Vitória, que sendo uma importante figura a nível social e económico, no entanto acabava por ser uma figura sem qualquer poder, assim como a rainha de copas ao longo da história.

O regime politico em Inglaterra desse período era a monarquia parlamentarista, regime no qual se adopta o sistema parlamentar de governo, no qual o monarca não governa, assumindo apenas a função de Chefe de Estado, que é um cargo representativo. O poder é exercido pelo Ministro de Estado, ou Primeiro Ministro.




CONCLUSÃO


A leitura desta obra é difícil, dado que só depois de fazer uma pesquisa sobre o autor e perceber o contexto histórico em que ele se encontrava, é que consegui perceber as analogias que o autor faz entre as personagens desta história com a população da época e os orgões de soberania.

Ao contrário da literatura da época este livro de Lewis Carroll não é escrito com a função de educar ou moralizar. O autor por trás de um livro aparentemente destinado às crianças faz um apelo à reflexão, levando o leitor a pensar na possibilidade da existência de um mundo diferente, representado no País das Maravilhas como um refúgio mágico, no qual os individuos se podem libertar da opressão do poder, das regras sociais impostas pelo poder e assim viver aventuras e experimentar o proibido, sem medo das punições.

Lewis Carroll, utilizando um discurso diferente do que era utilizado na sua época, mostra a sua insatisfação com asociedade que o rodeia, e também uma vontade de agir de forma a modificar esta sociedade, embora seja no plano do sonho, da fantasia que a literutura lhe permite.

terça-feira, 15 de março de 2011

Alice no País das Maravilhas

Vivemos  num país de direito em que a justiça é a aplicação das leis pelos juízes, após a sua interpretação dos factos, ouvindo ou não a opinião dos jurados.

No caso apresentado no texto da obra “Alice no País das Maravilhas”, o gato Fury pretende fazer aquilo a que normalmente se denomina  justiça pelas próprias mãos, ou seja, ser  ele, enquanto cidadão comum, a julgar e a condenar à morte o rato, vingando-se assim deste.

Não devemos assim cometer o tipo de justiça aplicada pelo gato Fury ao rato, e só pelo facto de por vezes sermos superiores ou com mais poder do que os outros,  não devemos utilizar a nossa superioridade para fazer da nossa razão a lei.

Esta passagem é fruto da imaginação de Alice e por isso tudo é possível, pois a sua imaginação não tem limites.