Estava um dia nublado, sem luz. sem vida, sem alegria.
Francisca e António eram um casal que vivia numa praceta perto do Largo do Chiado em Lisboa.
Já estavam juntos há 10 anos e o seu maior sonho era um dia virem a ter filhos, mas infelizmente esse sonho não lhes foi concebido. Em vários anos de tentativas tudo o que obtiveram foi desgostos e falsas esperanças.
Francisca trabalhava numa botique com duas amigas. Faziam a roupa por encomenda às senhoras mais idosas e tradicionais ali do Chiado e António, um sapateiro dedicado e trabalhador.
Embora o amor que sentissem um pelo outro fosse inabalável, acabaram por cair numa rotina. Para além dos amigos não tinham mais ninguém perto deles qu os fizesse desviar desse roteiro do quotidiano.
Todos os diasregressavam a casa, e este sem excepcção, para o conforto da presença um do outro. Francisca a pensar nas conversas e fofoquices que tivera na botique durante o dia, sentada ao piano, tocava notas soltas imitindo apenas sons sem qualquer harmonia, projetando o seu poensamento e olhar para o vazio. E António quee chegava cansado a casa, sentava-se à mesa e ler o jornal do dia.
Existe um partilha de espaço e de certo de sentimentos, mas a tristeza que sentiam todos os dias ao abrirem a porta e não terem nenhuma criança a saltar, a gritar, a querer contar o seu dia e a quem fazer o jangtar fazia-se sentir.
Ambos queriam essa felicidade, mas resignaram-se à sua vida rotineira, em que todos os dias pareciam nublados e não apenas este.
Alunos do 12ºB da Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras, no ano lectivo de 2012-13
Mostrar mensagens com a etiqueta Marta Trindade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marta Trindade. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
D. Sebastião Rei de Portugal e Nuno Álvares Pereira
D. Sebastião
- A presença de uma figura mítica e louca como a de D. Sebastião na
obra Mensagem de Fernando Pessoa pode assumir a forma de resistência, estimulo
e superação de uma época de desânimo e desespero em que a Nação se encontrava.
A loucura pode ser compreendida como uma voz inaudita de resistência às regras
opressivas que dominavam a sociedade, sendo a loucura de D. Sebastião encarada
como que um sopro de esperança.
- Ao dizer “ficou meu ser que houve, não o que há”, afirma que o que
morreu e permaneceu no areal (campo da Batalha de Alcácer-Quibir) foi o seu
corpo e não a sua alma que ainda se encontrava viva. No último verso “cadáver
adiado que porcaria” significa que apesar de ainda estar vivo de forma
espiritual ele estaria sempre inexoravelmente destinado à morte.
D. Sebastião sonhou-se imperador do Quinto Império e esse seu sonho
resistiu à sua morte.
- Dizia Fernando Pessoa que “Império é domínio e pode ser domínio
material, domínio intelectual e domínio espiritual…” Após a Batalha de
Alcácer-Quibir muitos autores se debruçaram sobre o assunto do Quinto Império
mas entre todos eles, Fernando Pessoa foi aquele que melhor o conseguiu
entender.
Como Fernando Pessoa caracterizava o 5º Império:
“… o futuro de sermos tudo,
fundindo portuguesmente todas as religiões no Paganismo Superior. Não queiramos
que fora de nós fique um único Deus! Absorvamos todos os Deuses! Conquistámos já
o Mar, resta que conquistemos o Céu, ficando a terra para os Outros, os
eternamente Outros, os Outros de nascença, os europeus que não são europeus
porque não são portugueses. Ser tudo de todas as maneiras, porque a verdade não
pode estar em faltar ainda alguma coisa…”
- Mas o que é este Céu? O Céu representa o limite, a barreira que o
povo português teria que ultrapassar para se conseguir erguer de novo.
Representa a ideia de nos superarmos a nós mesmos, de pensarmos e olharmos cada
vez mais além. Pessoa afirma que aquilo que os portugueses realmente precisavam
era de uma renovação de ideais nas suas mentalidades para poderem evoluir.
Teriam que recuperar o espírito aventureiro e ousado que em tempo já possuíram.
- Quinto Império será pois a face mais visível de uma nova “religião”,
de uma nova ordem de ideias, de um recomeço que o poeta propunha para o país.
No fundo o Quinto Império e a figura de D. Sebastião não são mais do que uma
procura de algo mais seguro e duradouro para o povo. Se tomarmos atenção
podemo-nos aperceber de que Pessoa se projecta sempre no futuro pois aquilo que
é profere nos seus poemas é o futuro que ele anseia para Portugal. Um Império
desta forma só faria sentido para Fernando Pessoa numa dimensão espiritual.
Todo este nacionalismo mítico pretendia renovar a mentalidade de um país que o
poeta via a decair cada vez mais.
- Ao fim e ao cabo o que o poeta tentou fazer foi conferir a Portugal
um novo sentido de existência. O poeta indica que o país tinha capacidades para
se regenerar e se entregar a um novo tipo de ideal, mas para tal teria que
procurar bem fundo nas suas raízes os mitos (eternos e que ajudaram na
construção da História de Portugal) ancestrais que conferiam a Portugal toda a
sua essência, tal como F.P. foi buscar o mito de D. Sebastião.
- Embora D. Sebastião tenha falhado no seu empreendimento, foi em
frente, teve coragem e morreu em grandeza, numa batalha por Portugal e é essa a
ideia que deve permanecer dele na mente dos portugueses após a sua morte.
Nos “Lusíadas” vemos referências a D. Sebastião tanto no início como
da obra, na proposição pois esta foi dedica ao Rei D. Sebastião e no final, no
canto X há de novo uma referencia mas de descontentamento…
Nuno Álvares Pereira
- Tal como Fernando Pessoa, muito outros autores, entre eles Camões,
se lembraram de Nuno Álvares Pereira, o Condestável, como um homem valente e
fiel à Pátria e ao mesmo tempo um homem de fé. O poeta ao dizer “S. Portugal em
ser” está a fazer uma figuração daquilo que há de mais puro e mítico em
Portugal. E a expressão “Ergue a luz da tua espada para a estrada se ver!” está
a apelar à inspiração de N.A.P para que os portugueses conseguissem encontrar
de novo o caminho para a grandeza, um vez que se tinham perdido.
- No poema é referida uma auréola que toma dois significados: o de
santidade (guerreiro que se tornou monge) e o de combate. Com isto quer ele
dizer que a santidade que N.A.P alcançou foi a custo dos seus actos de bravura
e guerreiro pois é a sua espada que desenha o círculo acima da sua cabeça.,
destacando-o assim dos outros homens como Santo.
Pessoa afirma que a espada não é uma qualquer, não era uma espada de
guerreiro comum. Estabeleceu então uma analogia entre a espada de N.A.P e a
espada Excalibur do Rei Artur.
No final do poema é pedido a N.A.P que erga a sua espada para que os
portugueses encontrem o caminho que deviam seguir no futuro.
- F. Pessoa inicio este poema com uma pergunta retórica acerca de
N.A.P. e os restantes versos são as respostas a essa mesma pergunta. Pessoa
chega mesmo a dizer que o valor de N.A.P é maior do que o do Rei Artur visto
que o primeiro passou de realidade a mito e o segundo não passava apenas de um
mito que muitos afirmavam ter sido realidade. Tal como o Rei Artur estava
pré-destinado a erguer a sua espada Excalibur, Nuno estava também destinado a
erguer a sua espada que o guiou na Batalha.
- Os últimos versos do poema podem ser interpretados como um conselho
aos portugueses. Se quisessem alcançar glória e reconhecimento deveriam seguir
o exemplo de N.A.P.
No final há um apelo para que ele indique o caminho a seguir para o
Império que há-de vir (Quinto Império que já referi)
- Tudo isto se pode relacionar com os Lusíadas e a citação que nele
aparece “numa mão a lança e noutra a pena” ou seja, por um lado N.A.P era um
guerreiro forte, corajoso e destemido na área de combate mas por outro lado era
também conhecedor de arte e inteligente. O que isto nos dá a entender é que
para conseguirmos alcançar o patamar de merecimento de reconhecimento e valo
tal como N.A.P há que haver um equilíbrio interno entre a sensibilidade e a
força.
Excalibur
O filme faz uma recreação do mito. Segundo este, Excalibur estava à guardiã
da Dama do Lago e trespassada num rochedo, apenas o Eleito seria capaz de a
arrancar de lá.
Arthur que era filho ilegítimo de Uther foi o Eleito, tornando-se
assim Rei da Grã-Bretanha, pois o seu destino era trazer paz e fim a longos
anos de guerra.
No filme, para além da se falar da espada Excalibur fala-se também do
Segredo do Santo Graal que era: o homem consciente da sua Natureza, do seu
lugar no Mundo e da sua sabedoria.
Na procura do Santo Graal morreram todos os guerreiros menos Percival
pois foi ele que conseguiu exercer o segredo do Graal. Foi também Percival que
no final do filme lança a espada de novo ao Lago, a mando de Arthur.
No filme existe também uma dimensão de Romance. O triângulo amoroso entre
Uther, Guineverre e Lancelot é um ponto importante a ter em conta ao longo do
filme, sendo também importantes os encontros amorosos entre eles.
Ao longo de todas estas cenas que descrevi há um acompanhamento
musical de fundo, da banda sonora de Wagner. A parte musical ajuda a complementar
a para de imagem.
À medida que a emoção transmitida pelas imagens vai aumento, há uma intensificação
da parte musical, fazendo com que os espectadores se envolvam completamente na acção.
A música assume a sua expressão máxima no final, quando Percival atira
a Espada ao lago. Com este retorno de Excalibur ao lago há como que um feixe
num ciclo que pertencia ao reinado do Rei Arthur. Este antes de morrer devolve
Excalibur à Dama do Lago, tal como se encontrava inicialmente. Arthur viaja até
à Ilha da Eternidade ao som da música “Marcha Fúnebre de Siegreid” de Wagner,
num bonito pôr-do-sol acompanhado de três damas vestidas de branco sendo as últimas
palavras que profere: “Um dia chegará um Rei e a Espada ressurgirá das águas”.
Diz-se por isso que a lenda de Excalibur foi a lenda fundadora de
Inglaterra, conferindo assim aos seus Reis poderes para que conseguissem
governar devidamente o seu país.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Proposição do Canto I e últimas estrofes da obra
A obra
começa com uma proposta feita pelo poeta, em que é feita a exposição do assunto
do poema.
O poeta
proclama por toda a parte a fama dos heróis lusitanos que fizeram a grande
viagem de descobrimento até à Índia, a glória e as vitórias dos reis conquistadores
de África e Ásia, para onde levaram a fé cristã, e por último enaltece todos
aqueles que pelas suas obras valorosas mereceram a imortalidade na memória dos
homens.
Nestas
três primeiras estrofes do Canto I o poeta propõe-se então a cantar aos portugueses.
Mas a
par dos elogios e louvores há também duras críticas a D. Sebastião nas últimas
estrofes do Canto X da obra.
Nessas
estrofes o poeta solicita ao rei que seja humano e que olhe para os seus
súbditos e que repare e dê valor ao sofrimento que eles tiveram que suportar
para conseguir engrandecer a sua nação. Pede-lhe que favoreça os portugueses
impedindo o rebaixamento perante a dureza das leis e pede-lhe também que dê
mais ouvidos aos homens mais experienciados e que sabem falar.
A obra
termina quando o poeta tem já a voz enrouquecida de cantar a gente surda.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
MÉRITO, VALOR E RECOMPENSA
Nas estrofes finais do canto VI presenciamos as reflexões pessoais do poeta para com os portugueses e a sociedade da sua época. Os navegadores portugueses e as suas virtudes são aqui altamente enaltecidos.
As glórias e honras obtidas por mérito próprio são aqui valorizadas, após tanto esforço e trabalho árduo os portugueses prevalecem e vingam o seu objectivo. Conseguiram alcançar a virtude através da sua bravura e força de vontade eisso sim é que é merecedor de recomprensa.
Está também presente uma crítica à classe nobre dasociedade, o poeta afirma que não se é nobre por herança, riqueza ou luxúria mas sim através da batalha, enfrentando os perigos, sacrificando o seu próprio corpo e estando sujeito à perda dos seus companheiros e família. Foi isso que os portugueses que navegaram por mares perigosos conseguiram alcançar e serem por isso recompensados com imortalidade e predtígio pelos seus feitos.
Os navegadores passaram assim a ser vistos como grandes heróis e apresentados como o verdadeiro modelo de nobreza. Triunfaram com sucesso e só assim se poderiam superiorizar aos restantes homens e serem dignamente reconhceidos.
Nas estrofes finais do canto VI presenciamos as reflexões pessoais do poeta para com os portugueses e a sociedade da sua época. Os navegadores portugueses e as suas virtudes são aqui altamente enaltecidos.
As glórias e honras obtidas por mérito próprio são aqui valorizadas, após tanto esforço e trabalho árduo os portugueses prevalecem e vingam o seu objectivo. Conseguiram alcançar a virtude através da sua bravura e força de vontade eisso sim é que é merecedor de recomprensa.
Está também presente uma crítica à classe nobre dasociedade, o poeta afirma que não se é nobre por herança, riqueza ou luxúria mas sim através da batalha, enfrentando os perigos, sacrificando o seu próprio corpo e estando sujeito à perda dos seus companheiros e família. Foi isso que os portugueses que navegaram por mares perigosos conseguiram alcançar e serem por isso recompensados com imortalidade e predtígio pelos seus feitos.
Os navegadores passaram assim a ser vistos como grandes heróis e apresentados como o verdadeiro modelo de nobreza. Triunfaram com sucesso e só assim se poderiam superiorizar aos restantes homens e serem dignamente reconhceidos.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Democracia é um regime de governo em que o poder de tomar decisões
importantes está na posse dos cidadãos por meio de representantes eleitos.
Posto isto, todos ficamos com a ideia de que deveria existir uma parceria de
confiança e honestidade entre o eleito e os eleitores, mas não é o que se pode
constatar nos dias de hoje…
“O Direito ao Voto” é o conceito chave para definir um estado Liberal,
um estado que se rege pelo ideal de liberdade.
Para um regime se poder chamar Democracia não podem existir quaisquer
tipos de exclusões, quer étnicas, de classe ou até mesmo de género, todos temos
o direito a expressar a nossa opinião quanto ao país em que vivemos.
Nos dias de hoje parece que muitas leis e valores foram esquecidos.
Não sei se será esquecimento… Talvez indiferença e desdém para com aquilo que
deve ser tomado como certo seja a expressão mais correcta. Os representantes
eleitos não respeitam os ideais segundo os quais foram eleitos, não são eles
que detêm o poder de decisão mas sim o povo, eles são apenas intermediários,
como que os “porta-voz” da vontade dos cidadãos.
As suas mentes foram moldadas pela ambição de poder e riqueza, e é
triste dizer que os ideais que prevalecem no nosso país sejam esses…
Creio que posso dizer que aquilo em que vivemos actualmente não se
pode considerar ao certo uma Democracia, essa apenas existe em si mesma a partir do momento
em que as escolhas do povo são respeitadas e as promessas eleitorais sejam
cumpridas, até isso se recuperar estaremos sempre em recessão.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Conceito de Catástrofe
Catástrofe – acontecimento desastroso que envolve morte e destruição; grande desgraça; fim desastroso; LITERATURA acontecimentos finais e dolorosos que constituem o desenlace de tragédia. (do gr. Katastrophé, «morte; ruína», pelo latim Catastropha «mudança da fortuna»)
(Tragédia na literatura – peça teatral cuja acção dramática tem um desfecho funesto; desgraça).
Esta observação leva-me a crer que uma catástrofe pode não só ser física como também psicológica, tomando assim vida em duas dimensões com interpretações bastante distintas.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Aparição - Vergílio Ferreira
| Vergílio Ferreira estudou num seminário e licenciou-se em Filologia Clássica em Coimbra, passando a dedicar-se ao ensino secundário. A obra Aparição revela o escritor de eleição e é um romance que, na opinião de grandes críticos literários é um dos mais notáveis escritos em língua portuguesa. Ainda segundo eles é um empolgante e belo livro que assinala elevado lugar na nossa literatura, pela sua problemática, pelas suas implícitas ou possíveis respostas e sobretudo, pelo seu estilo. |
O autor tem uma escrita bastante pormenorizada, dando a entender que o seu pensamento está sempre envolto numa camada obscura e pesada… inicia o seu livro com uma recordação do passado, em busca de conforto e felicidade. Recorda a morte do seu pai no norte de onde proveio e não deixa de nos mostrar a sua desilusão ao ser colocado em Évora e não em Lisboa para onde tinha concorrido. Esse retorno ao passado, relacionado com a família, relata-nos o que o levou a ter estas teorias filosóficas.
Foi em Évora que estabeleceu contacto com outras pessoas, com as quais discutiu as suas teorias relacionadas com a sua existência, a procura do seu verdadeiro eu e da sua aparição.
E é em Évora que nos pinta o retrato de uma família burguesa de província e nos descreve com um realismo impressionante o perfil psicológico dos componentes de cada um dessa família.
O pai Moura e sua mulher, a filha Ana casada com o agricultor Alfredo que eram culturalmente diferentes, a filha do meio Sofia, que era solteira, insegura e liberal, um amigo da família Engenheiro conhecido por Chico, adversário do regime e algumas figuras laterais como Bexiguinha e o Bailote, operário agrícola.
Alberto discutia essencialmente as suas ideias com Sofia, Ana e Chico.
A sua vida era bastante monótona, e o facto de ter estudado num seminário leva-me a crer que a procura do seu “eu” está em grande parte relacionada com os ensinamentos religiosos que adquiriu na infância.
Ao longo da obra são descritas várias mortes, e todas elas com uma determinada simbologia. Bailote comete suicídio por ter perdido a fonte do seu rendimento, sendo que a sua existência perde todo o sentido; Cristina, a filha mais nova, morre pois é perfeita demais para viver neste mundo; Sofia morre como punição de todo o mal que tivera feito aos outros, morta por Carolino Bexiguinha, que tinha ciúmes de Alberto; Bexiguinha e Ana não conseguiram igualar os seus seres e desistiram de lutar pela sua felicidade, o que se pode considerar uma morte psicológica.
Talvez Alberto, o herói que alcançou a sua aparição, possa ser visto como um alter-ego de Vergílio Ferreira, pois se o autor escreveu sobre estas teorias, é porque também pensou sobre elas. O termo "aparição" significa exactamente a revelação instantânea de si a si próprio. A vida de Alberto gira sempre em torno deste mesmo tópico, ele vive constantemente os seus pensamentos e podemos concluir que um dos tópicos principais deste livro, para além do existencialismo é a procura da felicidade.
“Um autor fixa um tema. Mas esse tema, revelando, como revela, um interesse, revela sobretudo que foi só em torno dele que o artista pôde realizar-se como tal.”
Vergílio Ferreira
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
A actualidade das palavras do Padre António Vieira
O Sermão aos peixes do Padre António Vieira foi escrito, como todos sabemos, no séc XVII.
No sermão estamos perante várias críticas à sociedade, visto que se trata de uma alegoria em que o Padre critica os pecados e defeitos do ser humano. O autor coloca-nos numa posição susceptível a reflectir, se já no séc XVII o Homem era acusado quer de corrupção, inveja, maldade, pouca devoçao, maus ouvintes, conflituosos, podemos concluir então que as palavras proferidas por António Vieira possuem um carácter intemporal, ou seja podem ser aplicadas à sociedade em que nos encontramos hoje em dia e que resistiram ao longo dos tempos. Se pensarmos bem, o Homem de há 4 séculos atrás é o mesmo do de hoje em dia, claro que os seus defeitos não mudarão com o tempo se ele mesmo não quer mudar…
domingo, 16 de outubro de 2011
Sermão de Santo António aos peixes
Nesta alegoria onde existe um confronto entre o Bem e o Mal e uma clara crítica a vários aspectos da sociedade encontramos no discurso do Padre como que um escudo protector para chegar onde quer mas de maneira mais suavizada e indirecta, ao mesmo tempo que diz determinadas coisas, diz também aquilo que não refere.
Santo António após elogiar e captar as atenções dos peixes está agora a criticar e repreendê-los.
Na secção IV a nossa atenção remete para o uso de um determinado verbo, ‘comer’.
Neste caso, ‘comer’ está aplicado ao mal, figuradamente podemos dizer que são os mais fortes que comem os mais fracos, aplica-se assim a Lei do mais Forte. Os maiores prevalecem sobre os mais pequenos, sendo tudo isto indicado como um defeito da sociedade.
Santo António critica os homens devido a tal maldade e ganância de tudo quererem ‘comer’, chega mesmo a compará-los a tribos. Nenhum Homem escapava à regra, era geral.
A sofreguidão do Homem era tão grande que não olhava a meios para conseguir o que queria, mesmo que fosse preciso ‘comer’ todos aqueles que se atravessassem no caminho.
sábado, 8 de outubro de 2011
O DIREITO DE VIR A SER MULHER
Sociedades com mentalidade fechada aceitam e praticam aquilo a que podemos chamar de excisão feminina.
Uma mutilação horrenda que infelizmente bate à porta de cerca de uma em cada quatro menores em países onde a civilização ainda não chegou.
Para mim trata-se de um problema sociocultural baseado em conceitos errados. É algo que não consegue ultrapassar a minha compreensão. Mas esforço-me por entender que se trata de um costume, muitas vezes orientado por crenças religiosas, que faz parta da vida de várias sociedades há muitas e muitas gerações…
Não sou psicóloga, mas já fui criança e o pouco que recordo é aquilo que mais me marcou, já imaginaram agora o que não será para uma criança indefesa e assustada, mais tarde aperceber-se de que grande parte da sua felicidade foi tirada à força sem qualquer tipo de piedade, quando ainda nem tinha capacidade de escolha? As marcas e recordações atrozes que isso não deixará no para toda a vida?
A excisão consiste em cortar as partes genitais femininas para que, já mais velhas, não possam vir a ter qualquer tipo de prazer amoroso a não ser com o homem com quem casarem, como se pudessem ser comparadas a uma reserva. Ao fazerem isto a pequenas vítimas é como se estivessem a retirar-lhes as escolhas que queriam para o seu futuro, como se escolhessem e traçassem os seus destinos em vez de elas próprias…
Obrigam-nas a viver uma vida que não escolheram e em condições sub humanas.
Actos destes violam todos os tipos de direitos que dizem respeito ao ser humanos e causam danos físicos e psicológicos irreversíveis.
Sinceramente não sei o que se poderia fazer para resolver tal situação, com a qual eu discordo plenamente. O problema depende bastante da mentalidade de cada um pois há quem dê mais importância a questões culturais e tradicionais do que a questões de ética, e vice-versa…Até há pouco tempo apenas tinha lido sobre esta situação, mas sempre que tal assunto vinha ao de cima, provocava furor em mim. Vi um filme chamado “A Flor do Deserto”, que abrange este tema em específico.
Foi um filme que me marcou, porque pude ver com melhores olhos aquilo que pode acontecer a imensas raparigas de todo o Mundo. É cruel como a vida pode ser tão injusta e difícil para aquelas que possuem uma ferida tão grande nas memórias do passado…
Visionar esse filme apenas me ajudou a fortalecer ainda mais a opinião que tenho acerca do assunto e a querer lutar para que algo seja feito contra a falta de direitos que essas meninas têm sobre as suas próprias vidas.
Fico a pensar… Que soluções possíveis poderíamos colocar para ajudar a salvar o futuro destas pobres meninas? Remover de vez tais hábitos seria algo impensável, pois estamos a falar não do costume de uma família mas sim de um costume adquirido por milhares e milhares de famílias do continente Africano e que provêm de séculos atrás. Já para não falar de que nem todas as que sofrem destas mutilações se revoltam porque devido a influências de família e de sociedade, acreditam que é o melhor para elas e apoiam a sua cultura, coisa que não critico de modo algum mas que me custa bastante a entender.
Grandes organizações não governamentais (ONG) já lideram campanhas e operações de apoio, mas pouco mais há a fazer porque iremos sempre voltar ao mesmo ponto da questão que é ver em confronto a tradição e costume com a ética e a moral.
Quando me refiro a actos cruéis não falo apenas da excisão feminina como me refiro também a todos os outros que estão sob os olhos de muitas crianças menores que não sabem o que as espera num futuro mais próximo, como a mutilação mamária, abusos sexuais e exploração de toda a ordem.
Todos deveríamos ter o direito a sentir emoções, a sentir que vivemos e aproveitamos bem a vida, que somos livres de fazer loucuras e aproveitar o que o mundo tem para dar, essas raparigas vivem como que numa jaula invisível, presas a uma tradição em busca de aceitação, passam assim uma vida apenas meio vivida e por vezes nem tanto. Admito, tenho pena delas e isto revolta-me por saber que acontece a todos os instantes.
A mulher foi um ser tão bem concebido como o homem, ambos vieram ao mundo para se complementarem e tornarem a Terra um sítio melhor, porquê provocar tristeza, dor, revoltas e impedir que a força da natureza tome as suas verdadeiras formas?
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Num Mundo Paralelo...
Alice no País das Maravilhas, um conto clássico que tem vindo a acompanhar a infância de muitas crianças não tem que ser apenas visto de uma perspectiva infantil, se nos debruçar-mos sobre ele com outros olhos, de certo que retiraremos novas análises.
Temas que se podem aplicar aos dias de hoje, podem ser retirados desta história surrealista.
O livro tem como base principal fantasia e pura imaginação, que são muitas das vezes ingredientes que fazem com que as histórias ganhem aquele encanto especial e alma.
A acção do livro começa de facto na realidade, mas Alice depressa entra no seu submundo, o mundo da fantasia e das maravilhas onde tudo é possível e onde o extraordinário é algo comum…
Alice, uma menina que se encontra no auge da sua fase de crescimento e mudança depara-se com vários problemas e interrogações, quer de identidade, quer sobre assuntos que até à altura nunca lhe tinham despertado qualquer atenção.
Muitas das vezes não se sentia segura de si mesma, como se não se reconhecesse e tivesse sido trocada com alguma das suas colegas. Este facto explica as variações de tamanho que Alice sofre em todo o decorrer da história. Quando estava gigante, sentia-se mais poderosa, corajosa e destemida, digamos que se sentia “mais Alice” do que o habitual, não tinha medo de ninguém e já encarava os seus obstáculos com menos receio. Mas quando voltava ao seu tamanho original ou ainda mais pequeno, o medo apoderava-se de si, sentia-se vulnerável a todos os perigos que a rodeavam, sentia-se sujeita à Lei do mais Forte e “menos Alice”.
Tal atitude de Alice, remete-nos para um outro tema muito abordado no conto, a justiça e as suas formas de aplicação…
Durante toda a sua aventura, a pequena menina depara-se com diversos casos em que a justiça e o poder pareciam estar totalmente de pernas para o ar, sem o mínimo nexo e a serem aplicados da pior maneira possível, mas pelos vistos apenas a ela lhe fazia confusão…
No Mundo das Maravilhas, a justiça não toma a mesma forma que toma no munda que conhecemos.
Actualmente vivemos sobre os ditames da Democracia, um tipo de justiça que tem como bases um poder distribuído, onde existe o direito a defesa e julgamento, sendo assim aplicada a melhor sentença e da forma mais justa, é assim imparcial.
A justiça, no geral, visa sempre a bondade e a razão. Mas tal não se passa no Mundo das Maravilhas, este poder é quase sempre aplicado no sentido oposto ao qual deveria ser, é utilizado para praticar o Mal, sem respeitar as leis nem os direitos e onde não existe nem o direito de argumentação nem defesa…
No III capítulo, deparamo-nos com o primeiro facto directo que nos indica que a justiça era injusta no Mundo da fantasia. Quando Alice conheceu um rato, com o qual não conseguiu desde o início estabelecer uma relação amistosa, ele explicou-lhe porque não gostava nem de gatos nem de cães, e tudo se resumia a justiça. O próprio Rato se referia à história como muito comprida e tortuosa, estando assim a dizer indirectamente que a justiça naquele Mundo era instável, insegura e com muito que se lhe dissesse…
“Não podes negar”… “ Serei juiz e jurada, disse a Fúria endiabrada”… “pois era ideia dela comê-lo de cabidela ou senão caldeirada…” Estas pequenas passagens apenas reforçam as imperfeições da Justiça que perseguiam os habitantes do Mundo das Maravilhas.
Alice apercebe-se de que neste segundo Mundo a justiça era injusta e falsa. Era parcial, pois em todos os casos havia sempre alguém que saía com maior proveito e a única lei que parecia prevalecer era a Lei do mais Forte, em que aqueles que eram maiores ou que detinham mais poder tinham assim mais vantagens.
O maior contraste que Alice reparou na distinção dos dois Mundos foi o facto de estar perante um regime de poder absoluto, no qual era apenas uma pessoa a deter o poder total, tomando assim todas as decisões importantes, enquanto que no Mundo real tal poder estava destinado aos cidadãos…
Eram o Rei e a Rainha quem mandavam e que comandavam os tribunais.
Uma passagem da obra na qual está bem explicita a justiça mal aplicada no Mundo de Alice é no capítulo XI e XII. Nestes, Alice encontra-se perante um tribunal que levava a julgamento o roubo das tartes da Rainha.
Achei este capítulo particularmente interessante porque se for bem analisado, podemos ver e interpretar claramente a confusão que corria na mente de Alice em relação a tudo o que a rodeava naquele Mundo, todo o tribunal era a confusão instalada, uma balbúrdia total.
Tal como já referi anteriormente, quem estava à frente de toda a instituição era o Rei, acompanhado de sua mulher, a Rainha de Copas, este detinha o poder absoluto para decidir quem sairia culpado, quando acabavam os depoimentos e quando terminava a sessão. Mais ninguém podia intervir…
O réu era o Valete e muitas personagens que já foram intervenientes na história foram chamadas a depor ou estavam presentes.
O primeiro a ser chamado foi o Chapeleiro, que após tanto implorar para sair dali acabou por ser dispensado… E a próxima foi a Cozinheira, que se recusou a prestar o seu testemunho. Tal testemunha acabou por desaparecer, sem que ninguém se ralasse em saber onde estava… Isto é algo que nem seria pensado nos tribunais reais. Este tribunal era diferente, nele reinava a confusão, não havia qualquer seguimento de regras ou organização.
Durante todo o julgamento, o verbo mais proferido pela Rainha era “executar”, tudo o que se mexesse ou falasse era mandado executar, mas a ameaça não passava disso. Uma vez mencionada, a execução deveria ser realizada pois é algo com demasiado peso para se poder ‘gastar’ assim. Geralmente, uma repetição serve para intensificar um sentido ou palavra, mas neste caso, de certa forma serviu para lhe retirar o significado e importância.
Por fim e para espanto de todos, a última a depor foi Alice, mas antes que o seu depoimento pudesse começar, sofreu uma vez mais um aumento de tamanho, ficou gingante e como sempre, e sentia-se “mais” Alice. Já não se sentia intimidada pela Rainha e afirmava agora já não ter medo de nenhum deles quando a sua irmã a acorda e a trás de volta à realidade, onde tudo tinha uma explicação lógica, onde tudo parecia tão ‘normal’.
A fantasia e imaginação são uma chama que deve permanecer sempre acesa no nosso interior, não para que permaneçamos crianças mas sim para que possamos viver a vida de uma maneira menos pesada, encarando os nosso problemas e obstáculos de várias perspectivas.
A genuidade e inocência infantil não têm idades reservadas, todos podemos de vez em quando fechar os olhos e resguardarmo-nos no nosso próprio Mundo, onde as coisas são à nossa maneira, onde podemos ser nós mesmos sem receio de nada, onde podemos enfrentar os nossos medos e aprender a viver a vida…
terça-feira, 15 de março de 2011
Poema de Alice no País das Maravilhas
Depois daquilo que já analisámos nas aulas em relação a esta obra, já percebemos que o Mundo real e o Mundo de Alice, são dois mundos totalmente distintos.
Alice tem um Mundo próprio, no qual é movida pela sua imaginação, onde esta nunca atinge os limites.
Esta passagem recai novamente sobre um tópico que ja foi referido anteriormente, o facto de animais comerem outros animais, mas esta passagem enquadra-se no tema da justiça.
Como sabemos, no Mundo real a justiça é, supostamente, algo bom, que aplica as Leis e que combate o mal... Mas no Mundo de Alice é o contrário, é algo falso que serve para enganar.
Nste caso, a Fúria que queria comer o Rato, chamou-o a tribunaltentando acusá-lo de algo que não fez, chamando assim a sua atenção.
Podemos interpretar que nesta passagem, a Justiça representa um meio intermediário para praticar o Mal.
Estamos perante uma situação de contraste sobre a justiça, o que serve para intensificar ainda mais a ideia de que os dois Mundos são completamente diferentes!
10ºB
nº23
Alice tem um Mundo próprio, no qual é movida pela sua imaginação, onde esta nunca atinge os limites.
Esta passagem recai novamente sobre um tópico que ja foi referido anteriormente, o facto de animais comerem outros animais, mas esta passagem enquadra-se no tema da justiça.
Como sabemos, no Mundo real a justiça é, supostamente, algo bom, que aplica as Leis e que combate o mal... Mas no Mundo de Alice é o contrário, é algo falso que serve para enganar.
Nste caso, a Fúria que queria comer o Rato, chamou-o a tribunaltentando acusá-lo de algo que não fez, chamando assim a sua atenção.
Podemos interpretar que nesta passagem, a Justiça representa um meio intermediário para praticar o Mal.
Estamos perante uma situação de contraste sobre a justiça, o que serve para intensificar ainda mais a ideia de que os dois Mundos são completamente diferentes!
10ºB
nº23
Subscrever:
Mensagens (Atom)