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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Interpretação da pintura de Edward Hopper

  A Joana e o João conheceram-se numa aula de bioquímica na Faculdade de Lisboa. Ambos entraram, com muito boas médias, para o curso de medicina. Nessa aula, invés de estudarem as estruturas das proteínas, eles decidiram falar e rir o tempo todo. A partir dessa aula, eles encontravam-se muitas vezes por semana para “estudarem” ou simplesmente para falar. Depois de alguns meses, eles começaram a namorar. Já passaram oito anos e eles ainda estão juntos.
   O João, depois destes anos todos, resolve pedir a Joana em casamento. Ele, com ajuda do seu melhor amigo Mário, tenta preparar o mais romântico e magnífico pedido de casamento de sempre. Com isto, ele arranja desculpas para ter tempo para se preparar, como “vou trabalhar até tarde” ou “vou ao ginásio”. Porém, o João nunca fui um bom mentiroso, porque, na verdade, ele nunca pôs os pés num ginásio nem gostava de trabalhar horas extras na clínica. Por isso, como é óbvio, a Joana começou a suspeitar. Ela é tão ciumenta e paranóica que até seguia o João. Mas, como não teve resultados, ela decidiu perguntar pessoalmente ao namorado o que se passava. 
  Numa noite, depois do jantar, o João estava a ler o jornal enquanto a Joana estava a lavar a loiça. Quando ela terminou a sua tarefa, resolveu ir ter com o João à sala. Ele estava sentado na sua poltrona a ler o “Diário de Notícias” e ela resolveu sentar-se no banco do piano. Estava tão nervosa, porque tinha medo da resposta à pergunta que ela iria fazer e ele estava tão concentrado na sua leitura que nem a ouviu entrar na divisão. Ela começou a mexer nas teclas do piano para tentar esconder o seu nervosismo. Foi aí que ela finalmente perguntou:

 - Então como vai o trabalho?
 - Vai bem – disse ele.
 - Tens trabalhado muito nestes últimos dias... quase nunca estás em casa.
 - Pois, sou um dos únicos médicos que não estão de férias. Tem de ser. - respondeu o João.
 - Tens razão, mas isso não quer dizer que tenhas de chegar às dez da noite a casa. - disse a Joana, ainda a mexer as teclas do piano.
 - É assim a vida de um médico.
 - Acho que estás a esconder-me qualquer coisa... - disse a Joana, com uma voz suspeita.
 - O quê? Eu? Haha claro que não …. - respondeu nervosamente o João – Que tal eu levar-te a jantar fora amanhã? Vamos ao café “Royale” comer aquela lasanha que gostas tanto!
 - Humm.. está bem. - afirmou Joana, ainda bastante receosa sobre tudo o que estava a passar.

  Na noite a seguir, durante o jantar, o João pôs de parte as suas ideias doidas e pediu, de uma vez por todas, a Joana em casamento. Ela respondeu logo que sim.   

sábado, 3 de novembro de 2012

"O Dos Castelos" & "O Das Quinas"

   Os poemas da Mensagem de Fernando Pessoa encontram-se agrupados em três partes: Brasão, Mar Português e O Encoberto. A primeira parte representa o símbolo da origem e da fundação da nação portuguesa. Dentro desta parte, encontramos um primeiro momento, denominado Os Campos. O campo é a parte interior do Brasão português e possui dois fragmentos: a dos Castelos e a das Quinas. Daí os títulos dos poemas apresentados.
  O primeiro poema, intitulado "O Dos Castelos", remete-nos principalmente para a descrição geográfica do continente europeu. Aqui, a Europa (figura feminina) emerge deitada sobre os cotovelos, apoiando o rosto na mão direita. O verbo jazer, utilizado na primeira estrofe, tem como significado estar deitado ou estar morto. Esta ideia reforça a atitude passiva do continente e a necessidade de Portugal, como rosto da Europa («o rosto com que fita é Portugal»), para despertar o continente adormecido. Esta descrição pode ser comparada com a descrição da Europa  realizada por Vasco da Gama na obra Os Lusíadas de Luís de Camões, mais especificamente no Canto III nas estrofes 17, 20 e 21. 
 Existe particular atenção para com as civilizações gregas e romanas que participaram no enaltecimento e enriquecimento da cultura europeia. A partir destas heranças, era possível a cultura se desenvolver ao longo dos tempos devido às combinações paradoxais entre as culturas do sul (que representam o romantismo) e as do norte (que representam a revolução industrial). Esta mistura, bem como os antepassados europeus anteriormente referidos, serviram de apoio a Portugal para que este consiga alcançar os seus objectivos e cumprir o seu destino. 
  Com lugar geográfico privilegiado, Portugal fica com uma missão e um destino pré-definidos. Existe, portanto, um contacto com um oceano desconhecido e misterioso que provoca um aumento constante do desejo e do apetite para explorar sítios longínquos e desconhecidos. Por outras palavras, a missão deste país vai ser guiar a Europa e o mundo até a um império espiritual. Isto é alcançado através dos Descobrimentos e da explorações marítimas que vão traçar o futuro do grande continente europeu. Podemos concluir que neste primeiro poema da obra, Fernando Pessoa demonstra a necessidade e o papel de Portugal para a Europa e para o mundo. Esta ideia vai servir de molde para os restantes poemas da Mensagem.
   O  segundo poema, intitulado "O Das Quinas", transmite-nos uma dimensão espiritual que não nos era possível verificar no primeiro poema. O autor afirma que os Deuses escondem uma venda quando parecem dar, ou seja, nada é conquistado sem sacrifício. Para alcançar a glória é  necessário haver sofrimento. Porém, o sofrimento para que se luta é por vezes eterno, sempre presente. Com isto, as pessoas nunca mais poderão sentir a felicidade, estando sempre em pleno sacrifício. Fernando Pessoa, com isto quis dizer que as pessoas que ainda possuem a capacidade de sentirem a felicidade, são assim abençoadas, mesmo se esta emoção seja passageira.
   Na segunda estrofe, o autor começa por realçar que não devemos procurar além do que nos é dado pelo destino, pois a vida é curta para satisfazer todos os desejos da alma humana. Desta forma, possuir é uma ilusão, para atrasar a verdadeira compreensão da vida. Esta ideia explica o último verso da estrofe: «Ter é  tardar».
   Fernando pessoa completa o poema com uma comparação com o Jesus Cristo. Esta ideia é baseada no sofrimento deste que serviu para determinar o seu próprio destino. A glória do Salvador veio também através de um grande sofrimento, como todos os homens. A importância do sacrifício de Cristo aqui serve para que os homens se redimissem e também para que estes pudessem conhecer um destino superior. Concluindo, o campo das quinas simboliza, em geral, a espiritualidade em Portugal. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Recompensa, mérito e valores na obra "Os Lusíadas"

   Entre as estrofes noventa e cinco e noventa e nove, do canto VI, conseguimos encontrar as definições de "Fama" e "Glória". Estes conceitos são acompanhados por uma crítica à sociedade, como o autor faz ao longo da sua obra.
   Após todas as dificuldades que os navegadores passaram ao longo da viagem, as naus portuguesas chegam finalmente à Índia. Esta chegada simboliza o triunfo e a glória do povo português. Porém, Luís de Camões afirma que o homem só irá alcançar a verdadeira glória se desprezar as «honras e o dinheiro», «os luxos e requintes supérfluos» e vencer a vontade que este tem de as dominar. Só depois é que o indivíduo alcança a fama e a glória, ou por outras palavras, a imortalidade. O autor também exemplifica meios para atingir estas virtudes, como por exemplo: «As navegações árduas por regiões inóspitas, à custa de sofrimento».
   Concordo com o que o autor está a dizer, pois considero a fama e a glória bastante difíceis de alcançar. As pessoas que realizam feitos memoráveis só para terem dinheiro ou luxos, não merecem as suas recompensas. O que se deve fazer é exactamente o que o Luís de Camões explica, apenas aqueles que alcançam a honra, a fama e a glória  por mérito próprio é que poderão ser valorizados, através de recompensas. Porém, estas não são materiais. São recompensas que valorizam o trabalho árduo do herói e a maneira como este superou a vontade de adquirir esses bens materiais. 
   Concluo dizendo que nesta parte de "Os Lusíadas", os navegantes completaram finalmente o objectivo que tinham em mente. Mais para à frente da obra, iremos ver estes a serem compensados, no episódio da Ilha dos Amores. Esta ilha vai representar a única recompensa digna de um feito tão grandioso como descobrir o caminho marítimo à Índia.

domingo, 30 de setembro de 2012

Democracia

   A democracia é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos, por meio de votos.
   Um determinado país tem que eleger um representante político que toma as decisões em nome do povo. A população pode também expressar a sua vontade por votar num assunto particular. Com isto, podemos dizer que o futuro do país está, direta ou indiretamente, nas mãos de cada cidadão. Se o exercício de voto pelos cidadãos cessar, a democracia deixaria de funcionar, pois o povo deixaria de fazer parte das decisões políticas do país de residência. 
   Na obra "Os Lusíadas" de Luis de Camões, no canto X, podemos encontrar a reflexão do poeta. Nesta parte da obra, o autor exprime o seu orgulho naqueles que continuam dispostos a lutar pela grandeza da pátria e afirma a sua esperança de que o Rei saiba aproveitar essas energias para dar continuidade à glorificação de Portugal. 
   Este é apenas um dos exemplos que nos faz reconhecer a importância do contributo do povo para o governo de um país. Sem a população a democracia não funciona, logo o país também não irá funcionar, pois o estado não tem em vista o bem comum do povo. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Retrato de Dorian Gray

O Retrato de Dorian Gray é um livro do escritor inglês Oscar Wilde. Esta história passa-se na época victoriana em inglarterra, onde um rapaz jovem e extremamente belo, chamado Dorian Gray, conhece Basil Hallward e Lord Henry Wotton. Basil depois de conhecer Dorian, fica muito amigo dele e que quando está com ele, chega a um novo potencial artístico que nunca tinha chegado. Um dia, Dorian conhece Lord Henry, um amigo próximo de Basil, que faz com que ele pense mais na sua sua vida e na sua beleza e juventude finita. A partir desse dia, Dorian persegue os seus prazeres da vida, sem contar com os pecados e as consequências. Quando Basil pinta um retrato de Dorian, este deseja que preferia ter a beleza finita do retrato invês de envelhecer e perder essa beleza. Esse desejo concretiza-se, e ao longo dos anos seguintes, o retrato envelhecia e mostrava os pecados que ele fazia (como sexo, bebida, etc..) e Dorian permanecia igual.

Este livro, na minha opinião, é uma lição de vida, ou seja, demostra que o mais importante na nossa vida não é só a beleza e a juventude, mas a nossa consiênica e a nossa alma. Também acho que o retrato é um emblema visível da consiênica de Dorian, pois sempre que Dorian pecava, a pintura modificava-se de alguma forma, ou seja, a alma dele estava na pintura. Isto pode-se comparar às estátuas gregas, pois os olhos destas aparecem brancos e vazios, ou seja, não têm alma, porque o que interessa para eles é a sua beleza exterior.

sábado, 8 de outubro de 2011

"Desporto de Reis"

Nós, humanos, temos atualmente muito em que pensar, e é claro, com tudo o que temos à nossa volta, temos de arranjar tempo para nos distrairmos. O entretenimento de cada pessoa varia consoante a personalidade dessa pessoa, ou seja, se uma pessoa é aventureira, vai fazer uma viagem, e se uma pessoa é moderna e cultural, vai ver um teatro. Mas, também existe uma distração que reúne pessoas corajosas e destemidas, e que é considerado um “desporto de reis”. É claro que estamos a falar das touradas.
Este “desporto de reis”, como alguns lhe chamam, é ainda procurado por turistas em todo o mundo, como por exemplo em Portugal, Espanha ou França. Este existe á mais de 100 anos, e o momento essencial para este acontecimento tem que ser a morte do touro. Este assunto para mim é perturbador, não só devido à morte de um animal inocente, mas também das violações dos direitos dos animais que são realizadas todos os dias em arenas de touradas em todo o mundo. Cada animal tem o direito da sua liberdade e não deve ser obrigado a “lutar” contra o homem, só para depois no fim morrer. Isto é para mim uma grande injustiça, pois o homem tem objectos com que se defender e o touro tem só os cornos que fazem parte do físico e da morfologia do próprio touro. Para mim, este deporto só iria ser aceitado quando o homem “lutar” com o touro sem facas, nem objectos de defesa, ou seja, só “o que Deus lhe deu”. Se o público quer um espectáculo, pelo menos vamos torná-lo justo e interessante. 
Muitos já me disseram que como o homem está no topo da cadeia alimentar, por isso, não faz mal matar o touro, porque faz parte do decorrer da vida. Bem, é verdade que depois do “espectáculo” o touro é comido pelos espectadores e pelos toureiros, como uma tradição do desporto. Isto não discordo, pois já comi muita carne na minha vida e nunca liguei muito à forma de como o animal chegou ao meu prato. Mas, isso não é desculpa para matar o pobre touro à frente de centenas de pessoas, isso na minha opinião é uma atitude desumana e cruel. É claro que para sobrevivermos temos de nos alimentarmos, mas não depois de assistir o animal a morrer, pois isto é crueldade para os animais e, de certa forma, desnecessário. Se o animal, no fim fosse posto novamente no seu habitat natural, aí é que seria uma atitude humana.
Agora que estou a pensar, essas pessoas ao verem o animal a sofrer, não têm de pensar nos seus próprios problemas nem no seu stress diário, porque dizem “Eu estou mal, mas pelo menos não sou aquele touro”. A morte do touro, então é uma pequena ajuda para esses problemas dos espectadores, ou podemos até dizer que o touro é o psicólogo deles e a sua morte é o breakthrough que todos têm que passar. Alguns chamam-me hipócrito por comer carne de vaca e não gostar das touradas, mas eu não sou. Sou humano e eles não.
Para terminar, eu queria dizer que será que é mesmo preciso matar um inocente animal para o nosso prazer e entretenimento? Será que o homem vai mudar a sua atitude nos anos futuros? Será que podemos satisfazer os nossos prazeres com desportos ou eventos que não causam dor ao animal? Se isto tudo acontecesse, e se este desporto sofresse algumas alterações, aí merecia o título de “desporto de reis”.