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terça-feira, 2 de outubro de 2012

“A democracia existe em si mesma desde que se verifique o exercício do voto pelos cidadãos”


Democracia, conceito que tem como definição “governo do povo”, ou seja, é um sistema em que todos têm direito a ter voto nos assuntos respeitantes ao governo do país, de forma que todos tenham liberdade de expressão e a oportunidade de manifestar as suas opiniões. É um regime que tem como ideais a igualdade de direitos e deveres de todos os cidadãos, a justiça. Para que haja esta igualdade de que falo, não basta haver unicamente o direito ao voto.

A igualdade a que me refiro é a igualdade de oportunidades, que remete para o direito à educação, cuidados básicos de saúde, casa, e a todas as restantes necessidades básicas, independentemente da etnia de cada um, do sexo, do meio social, económico e cultural em que está inserido, bem como quaisquer que sejam as suas capacidades, funcionalidades ou necessidades especiais.

Para mim, um sistema democrático tem como objetivo reger uma sociedade com justiça, e eu não vejo como um país se possa intitular democrata quando os seus governantes não o dirigem respeitando a igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres de cada cidadão.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Frei Luis de Sousa, um Drama e uma Tragédia

Nesta obra existem diversos aspectos que nos fazem olhar para ela como um drama trágico. Começando pelo drama, este envolve sofrimento, dor, trata assuntos sérios da vida real, e isso podemos observar no Frei Luís de Sousa no decorrer da acção, está sempre presente o quanto os pais D. Madalena de Vilhena e Manuel de Sousa Coutinho sofrem pela filha que adoece, ou o quanto Madalena de Vilhena sofre cada vez que recorda do seu primeiro marido, D. João de Portugal. Esta história, construída de forma a ter circunstâncias que no seu conjunto fazem dela um drama, pois tudo o que acontece às personagens só parece trazer dor, preocupação e sofrimento.
Para além de dramática, esta peça também tem algo de trágico, pois nesta historia o destino parece encarregar-se do triste e duro final das personagens, ao longo da peça as personagens debatem-se contra as advertências, mas parece que de alguma forma acaba sempre por lhes acontecer algo de mau, como se eles estivessem a combater uma força maior e imparável. Para além de haver esta noção da impossibilidade de fugir ao seu destino, temos ainda presentes alguns elementos essenciais da tragédia, como a hybris , quando Manuel de Sousa Coutinho queima a sua própria casa, pathos, o sofrimento progressivo das personagens, imposto pelo destino, a anagnórise , o reconhecimento, quando o romeiro aparece na historia, a catástrofe que podemos reconhecer no desfecho trágico da historia e a catarse, a purificação de emoções e sentimentos , através do que Almeida Garret nos disse que pretendia provocar , o terror e a piedade.
Podemos então concluir que Frei Luís de Sousa é drama e uma tragédia.

Conceito de Pathos

Pathos, uma das componentes da tragédia, é o sofrimento de uma personagem que advém da passagem da ignorância para o reconhecimento da sua incapacidade para resolver os seus problemas. O sofrimento incutido a uma personagem quando confrontada com o seu dilema que se mostra insolúvel, a frustração de a personagem estar numa situação à qual não consegue escapar, e assim vê-se sem saída e entregue às forças do destino.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Síntese da Apresentação Oral

Neste livro “Afinidades Electivas” de Goethe, grande escritor e filósofo alemão, o que eu mais apreciei e acho que mais merece ser realçado quando nos referimos a esta obra, é a forma como o autor relaciona as personagens presentes na história, a forma como ele aborda as relações humanas. Gostei particularmente da analogia feita entre elementos químicos e a situação em que as quatro personagens centrais se encontram. O paralelo estabelecido entre estas duas componentes, aparentemente tão diferentes mas visto deste prisma com comportamentos semelhantes, é que tal como dois elementos químicos inicialmente unidos, perante a presença de outro ou mais elementos têm tendência a separar-se e dessa separação advirá uma nova união pois os elementos que são mais compatíveis têm uma necessidade de se unir, assim também duas pessoas com uma grande ligação, perante a presença constante de outra pessoa, se podem afastar, e quebrando essa ligação vai haver como que uma necessidade de proximidade, uma necessidade de criar novas ligações, e a “força de atracção” que aí vai actuar vão ser as afinidades que ali se criam entre as personagens, o “escolhido” será a pessoa com quem se tem maior afinidade.  
Uma afinidade é algo incontrolável, não se escolhe, não se pensa, é uma tendência que se cria, ou como outros lhe gostam de chamar, uma força superior, o destino.

 Outro ponto que eu mais gostei nesta historia, é a renúncia, pois após o afastamento entre o casal da historia, Eduard e Charlotte, dar-se-á então a aproximação entre o capitão e Charlotte, e o Eduard e Otillie, ou seja, no livro está bastante explicito a forma como as personagens se debatem contra a sua vontade, renunciam aos seus desejos, há claramente um conflito entre o que é ético e legítimo, e as atracções e inclinações inevitáveis entre cada par. Algo que me espantou ainda nesta historia foi o facto de mesmo nesta situação complicada, e tendo todos conhecimento dela, as personagens agiam como se nada se passasse e mantinham a postura.

Este romance pareceu-me algo trágico devido particularmente ao seu final, na minha opinião o que o autor quer mostrar é o quão complexas são as relações entre as pessoas, as escolhas difíceis que por vezes temos de fazer perante determinadas situações, tudo isto com amor e renúncia a este mesmo à mistura, e o quão complexas são as próprias pessoas, que nesta historia se mostram perspicazes e cientes do que se passa, tendo algumas atitudes na minha opinião algo incompreensíveis.

Foi uma boa leitura, gostei muito do que pude observar na forma como toda a historia sucedeu, e apesar de ser uma obra complicada e com muito que se lhe diga, consegui retirar o que nesta síntese aqui referi e achei muito interessante.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

No sermão de Santo António aos peixes, podemos ver que quando Padre António Vieira fala no que se pode repreender nos peixes, que os maiores comem os mais pequenos, e a partir daí faz depois a ligação com os homens, dizendo que eles fazem precisamente o mesmo, se refere às várias injustiças que se podem observar dentro de uma sociedade, o que os homens são capazes de fazer aos seus semelhantes, e fala nisso como algo que devia ser punível e repreensível. Os homens “pisam-se” uns aos outros, muitas vezes sem remorsos ou vergonha, não olham a meios para atingir os seus fins, e ainda pior, são os mais poderosos, os mais ricos, que “comem” os mais pobres e fracos. Isto realça ainda mais a injustiça , a crueldade com que nos comportamos uns com os outros.

sábado, 8 de outubro de 2011

Nas sociedades contemporâneas, o parecer sobrepõe-se, cada vez mais, ao ser

À medida que cresço, cada vez mais me convenço que muito do que tomo por certo ou não o é, ou não se resume ao que eu pensava ser. Quantas vezes não nos enganamos, quantas vezes não fazemos juízos precipitados, tiramos as nossas conclusões baseadas no pouco que conhecemos, ou mesmo até baseadas unicamente no que vemos? Quantas vezes deixamos de dar uma oportunidade a quem nos rodeia, somos radicais nos julgamentos que fazemos, simplesmente porque nos deixamos levar pelas aparências, deixamo-nos levar por estereótipos, ideias pré concebidas que quase forçam a entrada na nossa mente, pois temos de conviver diariamente com elas, e sorrateiramente moldam a forma como vemos o mundo e nos influenciam a maneira de avaliar tudo e todos aqueles com quem interagimos.

Pois é, “rotular” é realmente bastante comum para nós, fazemo-lo com uma facilidade impressionante, sem sequer pensar duas vezes, como se nem quiséssemos importar-nos com o assunto, olhamos, julgamos, e arrumamos o caso. Mas será que merecemos que nos julguem e definam com tal superficialidade? Não merece cada um de nós um pouco de atenção, uma oportunidade por parte dos outros, talvez uma observação um pouco mais cuidada?

Pensando bem nesta questão, acho que todos nós estamos de acordo; o que define uma pessoa não é de forma alguma uma roupa, uma cara, uma expressão, ou uma atitude momentânea. Nós somos isso e muito mais, nós somos a história que trazemos connosco, somos um complexo grupo de características, e estamos sempre a evoluir, sempre a mudar, a adaptarmo-nos a novas vivências que nos vão surgindo na vida. Todos nós já cometemos os nossos erros mas tivemos também momentos gloriosos, e sermos retratados pelo que aparentamos ser numa determinada situação, por um mero momento, não me parece justo. É revoltante que uma pessoa munida de todas as suas capacidades, competências, fragilidades e dificuldades, que é no seu todo uma pessoa igual e desigual a todas as outras, com as suas experiências de vida, pensamentos, sentimentos e a sua personalidade, seja depois reduzida a um simples comentário…ou a um “rótulo”.

Se todos temos consciência de quão complexos e únicos somos, como permitimos que o parecer tenha tanta influência sobre as nossas opiniões, porque é que insistimos em olhar para alguns como banais e fáceis de decifrar?

 Ou é porque alguns não se dão a conhecer, pois há pessoas muito fechadas e o pouco que mostram não é nem metade do que realmente são, e assim, por não se darem a conhecer aos outros, acabam por ficar rotuladas pelo pouco que partilham nas suas relações interpessoais.

Ou porque simplesmente não estamos interessados em saber mais sobre os outros, baseamo-nos nas poucas vezes que falámos com eles ou simplesmente no que vemos. Contentamo-nos com a ideia distorcida com que ficamos sem ter sequer um fundamento sólido que justifique a nossa conclusão fácil e rápida.

  uma falta de interesse por parte de todos em conhecermo-nos melhor uns aos outros, talvez porque sentimos que estamos bem como estamos, é o percurso mais fácil. Hoje em dia há tão pouco tempo e tanto em que pensar, que apesar de sabermos toda esta teoria, não a pomos em prática.

Perante a realidade de que realmente vivemos numa sociedade que se deixa iludir pelas aparências e ignora o ditado que todos conhecemos “nem tudo o que parece, é”, onde as pessoas se mostram intolerantes e intransigentes umas com as outras, onde muitas vezes se precipitam a tirar as suas conclusões e deixam-se ficar com a sua visão adulterada das coisas, acho que devemos mudar a nossa atitude, mudar a perspectiva com que às vezes julgamos os outros, devemos começar a ter uma mente mais aberta e ser mais receptivos mesmo quando algo ou alguém parece estranho, inadequado, diferente, desagradável ou inoportuno.

 Para mim, devemos ter sempre em mente que o que vemos e sabemos, não é tudo, às vezes não é mesmo quase nada, e por isso, um pouco de prudência, tolerância, condescendência e reflexão sobre os juízos que fazemos nunca nos cai mal, senão corremos o risco de estarmos a ser injustos e superficiais.

 Não somos infalíveis, por isso dar oportunidades aos outros, dar o benefício da dúvida, tentar ver para lá do que até agora nos foi mostrado, não custa nada, e se o fizermos poderemos até não nos arrepender. O saber aceitar e conhecer o outro como um “SER”, independente, igual, com as suas características próprias é uma virtude, e a noção de que aquilo que vemos nos outros, ou aquilo que sentimos num primeiro contacto, numa primeira abordagem, pode não passar de uma ideia preconceituosa, pouco rigorosa e injusta de avaliar aqueles que nos rodeiam, é por si só uma capacidade que devemos aproveitar para podermos construir relações sólidas onde o conhecimento é mútuo e o preconceito nulo.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Alice no País das Maravilhas

Desde o início da obra “Alice no País das Maravilhas” que posso observar vários aspectos que me fazem estranhar a sua história. A forma como este mundo de Alice funciona é um pouco incoerente, muitas das situações que nos são descritas seriam impensáveis no nosso mundo, por isso todas as partes desta história me fazem crer que a única hipótese de isto ser credível é não passando de um sonho, é sendo um “País das Maravilhas”. Isto pensei, quando comecei a ler este conto, mas à medida que analisámos a obra pude reparar que todos os pormenores estão susceptíveis a uma interpretação, interpretação essa que pode na realidade retratar algumas falhas, ou características, da nossa sociedade.
 Após a leitura desta obra, posso destacar vários aspectos da história que retratam injustiças e abusos de poder, em que os que detêm mais poder, os mais fortes prevalecem sobre os que detêm menos poder, que estão subjugados, tendo de obedecer rigorosamente às ordens vindas dos seus superiores.
Começando pelo poema que nos é apresentado no capítulo III, neste o rato explica a Alice o motivo pelo qual não gosta de cães nem de gatos. Conta-lhe que em tempos se viu numa situação injusta e complicada, em que uma cadela chamada Fúria o tentou enganar e assustar dizendo que o ia condenar por injúria capital, simplesmente por o querer comer. O rato, talvez tentando disfarçar o seu medo, foi na conversa dizendo que isso era um disparate e que ele não ia ser julgado pois nem sequer tinham juiz ou jurado. A Fúria, mostrando que o rato não tinha escapatória possível, disse que ela seria o juiz e o jurado. O conceito de justiça que eu retiro deste poema é que os mais fortes prevalecem sobre os mais fracos e dominam as situações, simplesmente porque podem e mesmo que injustamente. Isto porque a cadela tentou intimidar o rato e disse ser ela a juiz e jurada, ou seja, disse que ela é que decidia, simplesmente por ser mais forte e mesmo não tendo razão; o rato não tinha escolha nem voto na matéria, pois ele não tinha como se defender.
Mais à frente na história temos ainda o rei e a rainha, duas personagens que causam o pânico e são temidas pelo seu próprio povo, isto porque usam e abusam constantemente dos privilégios e benefícios de se estar no poder. Em várias situações vemos que todos os temem, como por exemplo quando os três jardineiros se enganam e em vez de plantarem rosas vermelhas plantam rosas brancas. Os jardineiros, reconhecendo que erraram e sabendo que provavelmente seriam mandados decapitar pela rainha (que o fazia indiscriminadamente e sem qualquer tipo de remorsos) pintaram as rosas de vermelho pois estavam subjugados pela sua vontade.
Outra situação que demonstra claramente que neste mundo de Alice o poder corrompe a justiça, é o julgamento do valete. Desde o começo do julgamento que a atitude do rei (que é também o juiz) é algo despreocupada e desleixada, visto que ainda nem tinha começado o julgamento e ele já queria decidir se o arguido era ou não culpado, como se nem interessasse o que ali iria ser discutido, pois no final de contas ele é que dava o veredicto, independentemente das provas mostrarem o contrário. Quando o Coelho Branco traz o envelope com os versos que não estavam assinados, o rei aproveita logo para usar isso como prova contra o valete, utilizando argumentos sem nexo, fazendo uso do poder que detém para chegar rapidamente ao desfecho da condenação, prevalecendo a sua vontade e as suas regras. Tanto o rei como a rainha pareciam agir sem qualquer tipo de critério, desprezando a importância do julgamento que ali faziam, ou mesmo a relevância que este tinha para os arguidos.  
Neste livro, nesta história, existe indiscutivelmente uma superioridade por parte dos mais fortes. Como consequência deste facto, podemos observar que os personagens rainha e rei detêm um poder ilimitado e absoluto, estando o mesmo acima de qualquer crítica ou possibilidade de contestação. O que me leva a concluir que os três poderes, judicial, legislativo e executivo, não podem ou pelo menos não devem estar entregues a uma só pessoa ou instituição. Para mim estes poderes, que constituem a base de qualquer sociedade, devem estar distribuídos por um grupo de pessoas, nunca de forma vitalícia ou num regime no qual as decisões não possam ser contestadas por aqueles que com elas sofrem, ou são afectados. Quero com isto ressalvar e para terminar, a importância do voto, a importância de cada um de nós poder opinar. Parece-me também importante realçar, o facto de numa sociedade em que não pode prevalecer a lei da força, a injustiça sobre a justiça, o mal sobre o bem, existirem leis que sendo aplicadas correctamente só vão beneficiar a justiça e consequentemente a sociedade regida pelas mesmas.   

terça-feira, 15 de março de 2011

Alice no País das Maravilhas

Neste texto o rato explica à Alice o motivo pelo qual não gosta de cães nem de gatos.
 Conta-lhe que em tempos se viu numa situação injusta e complicada, em que uma cadela chamada Fúria o tentou enganar e assustar dizendo que o ia condenar por injúria capital, simplesmente por o querer comer. O rato, talvez tentando disfarçar o seu medo, foi na conversa dizendo que isso era um disparate e que ele não ia ser julgado pois nem sequer tinham juiz ou jurado. A Fúria, mostrando que o rato não tinha escapatória possível, disse que ela seria o juiz e o jurado.
O conceito de justiça que esta historia me transmite é que os mais fortes prevalecem sobre os mais fracos e dominam as situações, simplesmente porque podem e mesmo que injustamente. Isto porque a cadela tentou intimidar o rato e disse ser ela a juiz e jurada, ou seja, disse que ela é que decidia, simplesmente por ser mais forte e mesmo não tendo razão, o rato não tinha escolha nem voto na matéria, pois ele não tinha como se defender.